terça-feira, 25 de agosto de 2009

In-ploda

Ensultados pelo torpor contínuo da noite, adentraram a velha armação de tijolos. Quando se olharam nos olhos, afim de provar seus próprios sabores, preferiram ignorar seus próprios instintos. Fugazes, mesmo querendo tudo preferiram o nada. Deitaram-se como se fossem irmãos de sangue, dormiriam como se fossem anjos... Se tudo não passasse de joguete, se tudo não passasse de feromônios mútuos, se tudo não passasse de lua e sol, chuva e seca, dia e noite... Murmuravam para a noite durar mais que 12 horas, então ajudaram-se e taparam todos os focos luminosos para que a luz celestial não entrasse no recinto furnicoso, logo se estapearam mentalmente.
Mas havia alguém mais no recinto, e não perceberam. Sempre há alguém mais mesmo que em mente. Então que implodam todos os sentidos em gozo dual!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Sentinela

Um pormenor em gargalhadas a outro, que não passa de reflexo do primeiro chacoteador, esse que levará tempo para assimilar a fidelidade de um cão. Levando pauladas e depois sendo alisado, ainda encontra forças para entrar em surto atacando o próprio dono ou abandonando-o. Como réu confesso, por execução de mártires não palpáveis, toca fechaduras com a alma em chamas, sem mais nenhuma compaixão nem pudor, invade fortalezas umedecidas pelo embaraço oferecido e não rejeitado. Quando o cabide de andrajos ordenar com a seguinte frase: “Há apreensão e tensão em teus olhos, tome meu coração! Eu o deixo em tuas mãos... Acenda tua fogueira e atire-o em teu fogo... Incendeie-o!”. Quem hesitará em desobedecer? Mesmo deixando o perfume do receio no ar ninguém evitará obedecer. Assim os anjos farão a festa, ficarão bêbados e cairão em desmemória antes da última gota ser tomada. Entusiastas de títeres, faz de incertezas, suas certezas incertas; insanas, dementes... No entanto prazeirosamente apreciadas, louvadas e agraciadas sobre lençóis esfarrapados, sob um céu de seis estrelas, uma lua e um planeta; todos fantasiosamente fluorescentes, sendo a primeira visão ao abrir os olhos depois de tais orgasmos ácidos. Sentinela errante faz de um não, talvez; sorriso para o sim! Mergulhando na própria armadilha, mesmo tendo mais peças deslizantes sobre o tabuleiro....
Pi!

Pausa no jogo... Um pouco de brisa e sobriedade.

Ao caos, amén.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

a receita do boneco de vodoo...víceras ao molho tártaro.

Corria entrelinhas, entre copos, entre paredes, etc. o que interessa é que corria zombante-mente a tal faceta da misteriosa luna.lunática. A redundância aclamada foi se dissolvendo e passando de ouvidos a ouvidos, até que obteve um ponto final... apenas gargalhadas, e um prazo de 6 meses até que se consuma o ato do delato. Um ponto final que todos querer-ão, para que baixe a bola e o topete do tal gringo nascido em Poconé, que não passa de mais uma vítima lastimante e itinerante... essa tal vida moderninha, oh Deus ria de nós e conosco simultaneamente... e naquela hora sorria para nós o adorado Diabo, nos oferecendo nossas próprias ~víceras ao molho tártaro~. Tenhamos o mínimo de bom senso de assumirmos o que não queremos, mas o fato é verdadeiro: O adultério move, ao seu modo, um mundo ou um sub-mundo e nós adoramos toda a articulação que ele lança sobre nossas vidas.
Então tentaram imaginar o que se passa dentro da climática de todo o processo, postando em mentes as imagens em slowmotion, (nesse momento, o slowmotion é quase tudo). O telefone tocando, os desfarces, os nomes falsos, as desculpas esfarrapadas, os locais de encontro, a escolha da lingerie, a hora do banho, a depilação, o escovar dos dentes, o tempo disponível, a hora chegada, o sorriso safado, a maquiavélica imagem, o desfrute do peso da consciencia, a poligamia polivalente, o arder da indescencia pecaminosa, o fritar, os sabores, os ruídos... etc, o que interessa é que entrelinhas, entre pensamentos, entre paredes, entre carros, entre telefonemas, entre biscoitos da sorte, está tudo na nossa frente... sorrindo para nós, com aquele olhar demoniaco... pois está tudo bem armado.

Ao caos, amén.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

"...
Dá-me um pedaço do teu pão?
sujo, com manteiga vencida, cheio de fungos.
ainda pode sentir o gosto?
é novo... é bom.
todos querem um pouco, deveriam provar.
é doce e amargo... mas é ótimo!
tem gosto de novo.
e hoje tem mais um pouco do que tivera há uma semana atrás.
e...
e...
e...
quando acabar, onde vamos procurar mais?

Você de um outro provável lado, se lesa como quem está aqui, mas o que importa...Tanto faz quando se fecha os olhos e quer o mesmo.
Estar livre, por estar? Pra ficar onde está querendo estar do outro lado!
Quem pediu mais disso? Mais doses de dúvidas, mais doces, mais refrigerantes espumantes e quentes. Do que falávamos há cinco minutos atrás? Ah, não quero mais saber, o que importa se está tudo turvo, porra! Há mais, muito mais... mas agora precisamos de um preservativo, para nos proteger dos malditos nexos.

Empreste-me o isqueiro, quero acender essa maldita chama, e acabar com tudo aqui... não quero cobertor... sei que o pouco de gordura em meu corpo pode sanar o frio... quero mais, agora... é bom, é ótimo... e do outro lado tem mais!

Mas ainda está turvo... está bom assim? são apenas letras, ou é mais do que issto Pode ser que sejam ânsias de coisas que não se tem perto, podem ser pingos nos tais "is"... isso não é real? deveria ser, estamos num circo de círculos horrendos ou somos o que realmente somos... querendo o que realmente queremos! você sabe o que quer? Eu ainda não sei ao certo o que você quer, mas sabemos o que não queremos... Nesse momento queremos mais, noites intermináveis e dias desacordados.

Mas o desejo maior nesse momento, é levantar dessa porra de maca e cair de cara em mais daquilo tudo que tivera há cerca de quarenta minutos atrás! pareciam mosaicos, mas não passavam de luzes entrepostas umas nas outras, mas eu quero que sejam mosaicos!
luzes seriam muito óbvio!
luzes com sabor?
hm...
bem que podia ter sabor de...
de...
de..."

Apagou sem mais nenhum resmungo.
Acordou treze horas depois sem ressaca e sem lembranças.
Mas ainda queria mais!